{"id":216,"date":"2024-09-30T11:41:46","date_gmt":"2024-09-30T14:41:46","guid":{"rendered":"https:\/\/mensagensperdidas.com\/?page_id=216"},"modified":"2026-02-20T23:01:54","modified_gmt":"2026-02-21T02:01:54","slug":"2-ignorancia-cacofonias-e-percepcoes-reflexao-e-critica-em-um-mundo-desinformacional","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mensagensperdidas.com\/index.php\/2-ignorancia-cacofonias-e-percepcoes-reflexao-e-critica-em-um-mundo-desinformacional\/","title":{"rendered":"2 &#8211; Ignor\u00e2ncia, cacofonias e percep\u00e7\u00f5es: reflex\u00e3o e cr\u00edtica em um mundo desinformacional"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>I<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 coisa antiga, al\u00e9m de ser inerente \u00e0s sociedades humanas. Poseti e Matthews (2018) demonstraram isso em uma linha do tempo que remonta at\u00e9 ao ano de 44 a.C., onde elas apresentam a desordem informacional atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. Mas o que difere o hoje do ontem, \u00e9 a capacidade de propaga\u00e7\u00e3o e alcance da desinforma\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as ao desenvolvimento das novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, apesar de todas as mudan\u00e7as que nosso mundo passou, passa e passar\u00e1, o prop\u00f3sito da desinforma\u00e7\u00e3o parece continuar o mesmo: enganar (Brisola &amp; Bezerra, 2018; Entidade Reguladora para Comunica\u00e7\u00e3o Social, 2019; Froehlich, 2020; Wardle &amp; Derakhshan, 2017; Mello, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A inten\u00e7\u00e3o do ardil \u00e9 o que diferencia a desinforma\u00e7\u00e3o da simples informa\u00e7\u00e3o errada ou falsa. Wardle e Derakhshan (2017) dizem que a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o deliberada de informa\u00e7\u00e3o falsa, visando causar preju\u00edzo a terceiros, e Brisola (2021) afirma que a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;um complexo de a\u00e7\u00f5es que constroem um cen\u00e1rio intencionalmente determinado&#8221;. Ora, se a desinforma\u00e7\u00e3o engana e manipula, al\u00e9m de ser constru\u00edda de forma consciente e proposital, podemos nos arriscar a cham\u00e1-la de mentira. Santo Agostinho (2019) escreve que &#8220;ningu\u00e9m pode duvidar de que mente aquele que deliberadamente diz uma coisa falsa com inten\u00e7\u00e3o de enganar. Portanto, dizer uma coisa falsa com inten\u00e7\u00e3o de enganar \u00e9 uma mentira declarada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas ser\u00e1 que a desinforma\u00e7\u00e3o tem apenas o prop\u00f3sito do preju\u00edzo a terceiros? Apesar do engano planejado causar, de fato, danos a pessoas e a grupos, o embuste tamb\u00e9m pode ser utilizado, conscientemente, para preservar, ou promover, a imagem de algu\u00e9m ou de alguma ideia. Fonseca (2005), ao falar sobre as formas de engodo que outros animais utilizam para sobreviver, afirma que<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">o repert\u00f3rio ilusionista gravita ao redor de dois estratagemas b\u00e1sicos. H\u00e1 o engano por ocultamento, que se baseia em ardis de camuflagem, mimetismo e dissimula\u00e7\u00e3o; e h\u00e1 o engano por desinforma\u00e7\u00e3o ativa, baseado em pr\u00e1ticas como blefe, o logro e a manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Enquanto o engano por ocultamento procura induzir o outro a n\u00e3o perceber o que existe, a chamada desinforma\u00e7\u00e3o ativa leva o sujeito a ver o que n\u00e3o existe (Fonseca, 2005). A partir deste ponto, ousa-se dizer que a falsidade constru\u00edda pode ter outros objetivos al\u00e9m do preju\u00edzo a terceiros. Ent\u00e3o, compreende-se \u2014 e se reafirma \u2014 o que j\u00e1 foi colocado anteriormente: o objetivo da desinforma\u00e7\u00e3o, ao que parece, \u00e9, unicamente, o engano, quer isso cause problemas ou vantagens a outrem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Entretanto, nem toda informa\u00e7\u00e3o falsa, ou errada, \u00e9 compartilhada com a inten\u00e7\u00e3o do engano. Podemos chamar esse tipo de informa\u00e7\u00e3o de <em>misinformation<\/em> (Wardle &amp; Derakhshan, 2017), e aqui cabe um adendo para justificar o uso do termo em ingl\u00eas. Apesar de <em>misinformation<\/em> significar, grosseiramente falando, &#8220;informa\u00e7\u00e3o errada&#8221;, ou, ainda, &#8220;informa\u00e7\u00e3o equivocada&#8221;, suas origens podem ir, presume-se, muito al\u00e9m de simples mal-entendidos. Cren\u00e7as obscuras, preconceitos, falhas de mem\u00f3rias, dentre outros fatores ligados a percep\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da pr\u00f3pria desinforma\u00e7\u00e3o em si, podem gerar <em>misinformations<\/em>. Pelo fato do termo ingl\u00eas, aparentemente, abranger esse comp\u00eandio de fatores, prefere-se o uso do termo nessa l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ressalta-se que a desinforma\u00e7\u00e3o possui inten\u00e7\u00e3o do engano; <em>misinformation<\/em> n\u00e3o possui inten\u00e7\u00e3o do engano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dito isto, continuemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Como colocado um pouco acima, a origem das <em>misinformations<\/em> pode ser abrangente, difusa e nebulosa. Isso pode acabar ajudando na concep\u00e7\u00e3o de novas desinforma\u00e7\u00f5es, que levar\u00e1 a um ciclo sem fim de enganos e autoenganos. Deve-se ter em mente que a desinforma\u00e7\u00e3o afeta nossos sistemas de cren\u00e7as, influenciando nossas percep\u00e7\u00f5es sobre a realidade circundante, tornando-nos em disseminadores passivos de mentiras bem constru\u00eddas, e transformando-nos em vetores de <em>misinformations<\/em>, principalmente quando a desinforma\u00e7\u00e3o se harmoniza com nossas cren\u00e7as, se camuflando em nosso entendimento.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>II<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>A Ignor\u00e2ncia da ignor\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Barros (2020) nos diz que &#8220;o mundo n\u00e3o \u00e9 exatamente do jeito que queremos&#8221;, e Pilati (2021), complementa isso ao afirmar que &#8220;a realidade do universo \u00e9 indiferente ao observador, \u00e0 nossa humanidade e, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e0 nossa exist\u00eancia&#8221;. Tudo que percebemos ao nosso redor est\u00e1 permanentemente &#8220;obscurecido por tr\u00e1s de um v\u00e9u sensorial&#8221; (Seth, 2019), e nosso entendimento sobre as coisas certamente n\u00e3o ser\u00e1 &#8220;puro&#8221; ou imparcial. Mesmo o m\u00e9todo cient\u00edfico, que nos lan\u00e7a alguma luz sobre a compreens\u00e3o da Natureza, e que levanta hip\u00f3teses sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais do ser humano com seu semelhante, est\u00e1 submisso aos vieses cognitivos, \u00e0s cren\u00e7as e vis\u00f5es de mundo daqueles que praticam ci\u00eancia. Se o cientista n\u00e3o tomou as devidas precau\u00e7\u00f5es a respeito de suas percep\u00e7\u00f5es e entendimentos, compreendendo que pode ser influenciado por aquilo que ele espera e por aquilo que ele quer ver (Plous, 1993), pode interpretar seus achados de forma question\u00e1vel. Por isso se cr\u00ea que uma esp\u00e9cie de ceticismo cr\u00edtico seja essencial \u00e0s mentes dos sujeitos; um ceticismo que nos leve ao reconhecimento de que nossos vieses e cren\u00e7as podem, sim, atrapalhar e interferir nas an\u00e1lises e interpreta\u00e7\u00f5es do mundo. Segundo Pilati (2021): &#8220;ser c\u00e9tico sobre seus pr\u00f3prios sistemas de cren\u00e7a \u00e9 uma tarefa paradoxal, pois aceitar a falibilidade do pr\u00f3prio conhecimento pode trazer instabilidade em suas asser\u00e7\u00f5es e significados&#8221;. Ser c\u00e9tico e observar o denso desconhecido que se avoluma ao nosso redor pode ser, al\u00e9m de desconfort\u00e1vel, assustador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Lovecraft [2014], no in\u00edcio de seu conto \u201cO Chamado de Cthulhu\u201d, aparenta descrever esse horror apavorante que prov\u00e9m da possibilidade perturbadora de saber que aquilo que pensamos conhecer pode n\u00e3o condizer com a realidade. O autor escreve:<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">Vivemos em uma pl\u00e1cida ilha de ignor\u00e2ncia em meio a mares negros de infinitude, e n\u00e3o fomos feitos para ir longe. As ci\u00eancias, cada uma empenhando-se em seus pr\u00f3prios des\u00edgnios, at\u00e9 agora nos prejudicaram pouco; mas um dia a compreens\u00e3o ampla de todo esse conhecimento dissociado revelar\u00e1 terr\u00edveis panoramas da realidade e do pavoroso lugar que nela ocupamos, de modo que ou enlouqueceremos com a revela\u00e7\u00e3o ou ent\u00e3o fugiremos dessa luz fatal em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz e ao sossego de uma nova idade das trevas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Certamente a pl\u00e1cida ilha de ignor\u00e2ncia \u00e9 um lugar confort\u00e1vel de se estar, pois ali o indiv\u00edduo pode lidar com aquilo que ele pensa conhecer, ignorando as infinitas contradi\u00e7\u00f5es que rondam seus preconceitos e cren\u00e7as. Tornar-se consciente da pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia pode ser aterrador para a maioria de n\u00f3s, pois isso reflete a nossa vulnerabilidade ante a incerteza, ante ao desconhecido. Carl Sagan (2006) diz que \u201ccomo um terremoto que confunde a nossa confian\u00e7a no pr\u00f3prio solo que estamos pisando, pode ser profundamente perturbador desafiar as nossas cren\u00e7as habituais, fazer estremecer as doutrinas em que aprendemos a confiar\u201d. Ora, ainda em Carl Sagan (2006), \u00e9 dito que \u201cdurante grande parte de nossa hist\u00f3ria t\u00ednhamos tanto medo do mundo exterior, com seus perigos imprevis\u00edveis, que aceit\u00e1vamos de bom grado qualquer coisa que prometesse suavizar ou atenuar o terror por meio de explica\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Torna-se compreens\u00edvel que em um mundo com uma grande cacofonia de informa\u00e7\u00f5es de todo o tipo, seja ela boa, ruim, falsa ou verdadeira, o sujeito se sinta perdido, ou desconfort\u00e1vel, com a amplitude das mudan\u00e7as e com a quantidade de informa\u00e7\u00f5es recebidas. Segundo Hogg (2019) \u201cas pessoas precisam possuir um senso firme de sua identidade e de seu lugar no mundo\u201d. Se o indiv\u00edduo n\u00e3o sabe lidar bem com o terror da imprevisibilidade e do desconhecido, ele pode sentir o seu senso de Eu prejudicado. E, sentindo-se indefeso, o sujeito pode se lan\u00e7ar na busca por informa\u00e7\u00f5es que confirmem suas cren\u00e7as e vis\u00f5es de mundo, al\u00e9m de procurar por l\u00edderes autorit\u00e1rios, que influir\u00e3o, quer de forma premeditada ou n\u00e3o, elementos neur\u00f3ticos que prender\u00e3o a pessoa amedrontada pelo inc\u00f3gnito em uma ilus\u00e3o angustiante e destrutiva (Hogg, 2019; Neumann, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 natural que mudan\u00e7as tragam medos e receios, pois aquilo que antes era, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais. Mudam-se conceitos, preceitos e pensamentos. No entanto, a perman\u00eancia no medo e a recusa de entend\u00ea-lo para confrontar vis\u00f5es de mundo, assim como preconceitos entranhados no \u00edntimo do sujeito, n\u00e3o aparenta ser saud\u00e1vel. King Jr. (2020) afirma que<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">o homem permissivo sempre teme a mudan\u00e7a. Sente seguran\u00e7a no status quo e tem um medo quase m\u00f3rbido do novo. Para ele, a maior dor \u00e9 a dor de uma nova ideia [&#8230;]. A pessoa permissiva sempre quer cristalizar o momento e manter a vida sob o jugo restritivo da mesmice.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Permanecer no jugo restritivo da mesmice talvez seja compar\u00e1vel com o ato de fugir para a paz e sossego de uma nova idade das trevas, a qual Lovecraft comenta no in\u00edcio de seu conto. E nessa idade das trevas, pode ser que os amedrontados pelas mudan\u00e7as decidam ignorar a sua ignor\u00e2ncia, e passem a buscar formas de proteger suas cren\u00e7as perante novas descobertas, perante \u00e0quilo que \u00e9 novo. Guzzo e Lima (2018) escrevem que a psicologia cognitiva sugere \u201cque as pessoas n\u00e3o s\u00e3o, naturalmente, boas avaliadoras de raz\u00f5es, especialmente quando refletem sobre ideias que lhes s\u00e3o caras\u201d. E Pilati (2021) complementa isso ao afirmar que acreditar no que se quer \u00e9 v\u00e1lido para todos, e que todos s\u00e3o afetados, \u201cdireta ou indiretamente, por algum sistema de cren\u00e7as infal\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A falta de autocr\u00edtica, aliada ao temor daquilo que \u00e9 diferente e\/ou novo, pode vir a se tornar uma combina\u00e7\u00e3o perigosa, principalmente se isso parte de pessoas sinceras e aut\u00eanticas em suas cren\u00e7as. King Jr. (2020) ilustra isso ao dizer que \u201calguns dos mais vigorosos defensores da segrega\u00e7\u00e3o [nos EUA] s\u00e3o sinceros em suas convic\u00e7\u00f5es e zelosos em seus motivos\u201d. O reverendo ainda acrescenta que \u201cnada no mundo \u00e9 mais perigoso que a ignor\u00e2ncia sincera e a estupidez conscienciosa\u201d. Ora, \u201ca tolice \u00e9 um inimigo mais perigoso do bem do que a maldade\u201d (Bonhoeffer, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para Bonhoeffer (2003) a tolice n\u00e3o \u00e9 um defeito intelectual, mas sim um defeito humano. Ele pontua que h\u00e1 pessoas intelectualmente \u00e1geis, mas que s\u00e3o tolas, e outras, as quais chama de intelectualmente lentas, mas que n\u00e3o s\u00e3o tolas. Bonhoeffer (2003) escreve:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">Ela [a tolice] \u00e9 uma forma particular de influ\u00eancia das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas sobre a pessoa, um sintoma psicol\u00f3gico de determinadas situa\u00e7\u00f5es externas. Examinando melhor a quest\u00e3o, mostra-se que qualquer demonstra\u00e7\u00e3o exterior mais forte de poder, seja ele pol\u00edtico ou religioso, castiga boa parte das pessoas tornando-as tolas. E at\u00e9 se tem a impress\u00e3o de que se trata a\u00ed de alguma esp\u00e9cie de lei sociol\u00f3gico-psicol\u00f3gica. O poder de uns precisa da tolice dos outros. No entanto, o que acontece n\u00e3o \u00e9 que determinadas capacidades \u2013 como, por exemplo, as intelectuais \u2013 de repente se atrofiem ou desapare\u00e7am na pessoa, mas que, sob a impress\u00e3o avassaladora causada pela demonstra\u00e7\u00e3o de poder, a pessoa \u00e9 privada de sua autonomia interior e ent\u00e3o desiste \u2013 mais ou menos inconscientemente \u2013 de encontrar uma postura pr\u00f3pria diante das condi\u00e7\u00f5es de vida com que se depara. O fato de que o tolo muitas vezes se mostra obstinado n\u00e3o deve nos levar a concluir que seja independente. Na conversa com ele chega-se a sentir que n\u00e3o \u00e9 com ele mesmo que se est\u00e1 tratando, mas com chav\u00f5es e palavras de ordem que tomaram conta dele. Ele est\u00e1 fascinado, obcecado, foi maltratado e abusado em seu pr\u00f3prio ser. Tendo-se tornado, assim, um instrumento sem vontade pr\u00f3pria, o tolo tamb\u00e9m \u00e9 capaz de qualquer maldade e, ao mesmo tempo, incapaz de reconhec\u00ea-la como tal. Aqui reside o perigo de um abuso diab\u00f3lico, por meio do qual pessoas poder\u00e3o ser destru\u00eddas para sempre.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O sujeito, alienado da consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, nunca encorajado a questionar suas cren\u00e7as e preconceitos; nunca estimulado a refletir sobre suas percep\u00e7\u00f5es e sobre o fato de que o mundo nunca ser\u00e1 conforme ele deseja, torna-se presa f\u00e1cil para si mesmo \u2014 para seus pr\u00f3prios autoenganos \u2014 e para desinforma\u00e7\u00f5es que partem, ou de grupos interessados em explorar o pavor alheio, ou de pessoas que simplesmente desejam manter as coisas como est\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 nesta complexidade de rela\u00e7\u00f5es e pensamentos humanos, de cren\u00e7as e preconceitos ocultos nos v\u00e9us de nossas mais \u00edntimas ilus\u00f5es, que as <em>misinformations<\/em> surgem, n\u00e3o com o intento do engano, mas com o pretenso intuito de informar. Ora, Wardle (2018) afirma que \u201cindiv\u00edduos que n\u00e3o sabem que uma informa\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa, podem compartilh\u00e1-la nas m\u00eddias sociais na tentativa de serem \u00fateis\u201d. E, como dito na introdu\u00e7\u00e3o, tais informa\u00e7\u00f5es falsas podem n\u00e3o vir apenas de desinforma\u00e7\u00f5es, mas podem ter origens em crendices populares, vis\u00f5es de mundo question\u00e1veis, e assim por diante. Por\u00e9m, tais coisas podem municiar aqueles que constroem desinforma\u00e7\u00f5es, principalmente em um mundo governado por algoritmos que insistem em prender os sujeitos em suas pr\u00f3prias bolhas. Da\u00ed volta-se a necessidade de um ceticismo cr\u00edtico e da compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>III<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Ceticismo e Compet\u00eancia Cr\u00edtica em Informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 prov\u00e1vel que a desinforma\u00e7\u00e3o, assim como nossa tend\u00eancia em ter cren\u00e7as infal\u00edveis, n\u00e3o ter\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o definitiva. Para a natureza humana n\u00e3o h\u00e1 uma receita de bolo, com medidas exatas e acertadas. No entanto, isso n\u00e3o significa dizer que n\u00e3o existam caminhos a serem seguidos e instigados. A personagem Eleanor Arroway, no romance Contato (Sagan, 2008), diz que \u201ca maneira que se tem para evitar os erros, ou pelo menos reduzir as possibilidades de se cometerem erros, consiste em ser c\u00e9tico\u201d. Indo na mesma dire\u00e7\u00e3o, Pilati (2021) afirma que o ceticismo \u201c\u00e9 um exerc\u00edcio poss\u00edvel e importante, pois \u00e9 o meio de criar novas formas, mais eficientes, de compreender a si mesmo e o mundo a sua volta\u201d. E Merton (2013) d\u00e1 a entender que o ceticismo organizado gera uma suspens\u00e3o do julgamento, levando a uma esp\u00e9cie de \u201cescrut\u00ednio imparcial de cren\u00e7as\u201d, que, geralmente, segundo o autor, des\u00e1gua em conflitos com institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, religiosas e econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Por\u00e9m, por mais que se entenda que o ceticismo seja, talvez, um caminho desej\u00e1vel para evitar erros e autoenganos, permitindo chegar ao ambicion\u00e1vel patamar da redu\u00e7\u00e3o de preconceitos (Pilati, 2021), deve-se ter em mente que o ceticismo est\u00e1 submisso aos nossos vieses cognitivos, podendo sofrer constantes interfer\u00eancias de nossas cren\u00e7as mais estimadas. Dito isto, observando a clara dificuldade de p\u00f4r cren\u00e7as \u00e0 prova, podemos ser levados a refletir sobre a honestidade, a prud\u00eancia e a humildade intelectuais, fatores os quais s\u00e3o capazes de trazer um amadurecimento de senso cr\u00edtico para o indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Analisando mais de perto esses tr\u00eas fatores, podemos nos aventurar em discorrer brevemente sobre alguns de seus detalhes, come\u00e7ando pela honestidade intelectual. Ser honesto intelectual, presume-se, \u00e9 reconhecer a possibilidade de pensamento enviesado. \u00c9 a consci\u00eancia do pr\u00f3prio sujeito admitindo que suas reflex\u00f5es podem sofrer influ\u00eancia de sua cultura, preconceitos e cren\u00e7as (Gasque, 2012). O indiv\u00edduo, ciente de seus vieses, pode passar a ser cuidadoso com suas reflex\u00f5es, tornando-se intelectualmente prudente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Sobre a prud\u00eancia, Baltasar Graci\u00e1n (2003) afirma que grandes intelig\u00eancias \u201cs\u00f3 chegam a uma decis\u00e3o depois de muito pensar, porque \u00e9 mais f\u00e1cil evitar o perigo do que se sair bem dele\u201d. J\u00e1 Capurro (2010) escreve que a prud\u00eancia \u00e9 \u201co horizonte de algu\u00e9m que \u00e9 consciente de seus limites. Ela delimita o anti-crit\u00e9rio \u2018tudo \u00e9 permitido\u2019 nos fazendo conscientes de situa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas e evita que busquemos solu\u00e7\u00f5es simplistas\u201d. Pode ser que a prud\u00eancia intelectual nada mais seja do que o cuidado que a pessoa tem com aquilo que ela entende e interpreta. Visto deste modo, parece que a honestidade e a prud\u00eancia intelectuais andam de m\u00e3os dadas, pois, enquanto uma reconhece que suas conclus\u00f5es podem estar enviesadas, a outra procura tratar tais reflex\u00f5es com cuidado, com o objetivo de n\u00e3o dar margens a interpreta\u00e7\u00f5es controversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Por fim, temos a humildade intelectual, que pode ser entendida como a consci\u00eancia de que nunca haver\u00e1 um conhecimento completo e fechado sobre determinado assunto. \u00c9 o reconhecimento que o sujeito tem de que quanto mais se conhece, mais consciente de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia ele se torna. Sempre haver\u00e1 algum novo conhecimento a ser descoberto que simplesmente poder\u00e1 transformar os paradigmas j\u00e1 bem estabelecidos pelas ci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Presume-se que estes tr\u00eas fatores, honestidade, prud\u00eancia e humildade intelectuais, devam fazer parte do pensamento c\u00e9tico. Por sua vez, o ceticismo deve estar presente no senso cr\u00edtico dos sujeitos. Por\u00e9m, por mais que a reflex\u00e3o seja algo que ocorra naturalmente nas mentes humanas, o pensamento cr\u00edtico-reflexivo, ao que parece, n\u00e3o \u00e9, imediatamente, instintivo. Para criaturas que j\u00e1 nascem preparadas para perceberem o mundo ao redor, reconhecendo padr\u00f5es e evitando perdas e perigos, al\u00e9m de tornarem tarefas complexas em autom\u00e1ticas por meio de pr\u00e1ticas prolongadas (Kahneman, 2012), \u00e9 trabalhoso, de um ponto de vista cognitivo, suspender o pensamento corriqueiramente intuitivo e cotidiano, para se debru\u00e7ar, reflexivamente, sobre algum tema. Ora, o pensamento cr\u00edtico, para Elder e Paul (1996) \u00e9 \u201ca habilidade e disposi\u00e7\u00e3o de melhorar o pensamento sistematicamente sujeitando-o \u00e0 autoavalia\u00e7\u00e3o intelectual\u201d. J\u00e1 Bezerra, Schneider e Brisola (2017) ir\u00e3o escrever que o senso cr\u00edtico implica em um \u201cfator cognitivo que orienta nossa aten\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o informacionais, com base no conhecimento acurado de nossas pr\u00f3prias demandas, em meio ao infinito informacional n\u00e3o administr\u00e1vel\u201d. Por n\u00e3o ser algo naturalmente instintivo, al\u00e9m de ser uma atividade cognitiva que requer trabalho e pr\u00e1tica, cr\u00ea-se que o pensamento cr\u00edtico-reflexivo deva ser incentivado, continuamente, entre os sujeitos, ainda mais dentro da presente realidade de mundo desinformacional em que vivemos. E \u00e9 neste mundo que a compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o surge como disposi\u00e7\u00e3o a ser estimulada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Pode-se dizer que a compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma capacidade sociocognitiva orientadora de nossas demandas informacionais (Schneider, 2019), que leva em conta a reflex\u00e3o e a cr\u00edtica sobre o que se busca de informa\u00e7\u00e3o, ou sobre as informa\u00e7\u00f5es que param diariamente diante de n\u00f3s. Schneider (2019) afirma que tal habilidade requer a suspens\u00e3o da cotidianidade, onde o sujeito ir\u00e1 se esfor\u00e7ar para se concentrar \u201cem um \u00fanico problema ou conjunto de problemas, junto \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o da espontaneidade, do imediatismo, dos ju\u00edzos provis\u00f3rios, das generaliza\u00e7\u00f5es, da mimese, dos preconceitos\u201d. Percebe-se que para tal coisa \u00e9 preciso pr\u00e1tica, de modo que o exerc\u00edcio da compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o ganhe, quem sabe, contornos instintivos em nossas mentes. Ora, de muito praticar e treinar uma atividade, principalmente uma que seja laboriosa e complexa, pode ser que ela se torne espont\u00e2nea na vida do sujeito. No entanto, tal espontaneidade adquirida com grande esfor\u00e7o, n\u00e3o deve ser livre de constantes reflex\u00f5es e escrut\u00ednios, porque a possibilidade do erro e do autoengano est\u00e3o sempre \u00e0 porta. Como o ap\u00f3stolo Paulo diria: \u201cassim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que n\u00e3o caia\u201d (B\u00edblia, 1 Cor\u00edntios, 10,12).<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>IV<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma aptid\u00e3o desej\u00e1vel para uma consci\u00eancia cr\u00edtica amadurecida, que nos d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de avaliar e ponderar o ca\u00f3tico e cacof\u00f4nico mundo informacional que nos cerca. Cr\u00ea-se que tal compet\u00eancia n\u00e3o deva ser exclusividade de um grupo ou classe social espec\u00edficos, mas deve, sim, ser compartilhada e ensinada nas sociedades constitu\u00eddas. Presume-se que aquele que, supostamente, tenha alcan\u00e7ado uma consci\u00eancia cr\u00edtica amadurecida, possua no\u00e7\u00e3o de sua responsabilidade para com o seu semelhante \u2014 n\u00e3o uma no\u00e7\u00e3o de superioridade hier\u00e1rquica e tutora, mas, sim, uma atitude humilde, que vise o entendimento mutuo e estimule a coopera\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o entre os sujeitos. Como bem afirma Paulo Freire (1987): \u201cn\u00e3o h\u00e1, por outro lado, di\u00e1logo, se n\u00e3o h\u00e1 humildade\u201d. Portanto, o sujeito de hipot\u00e9tica consci\u00eancia cr\u00edtica amadurecida, deve ter o cuidado de considerar como seu semelhante qualquer estranho que, por acaso, tenha vindo parar em sua presen\u00e7a (Eagleton, 2010). Outra coisa que se deve levar em conta, \u00e9 a quest\u00e3o de que a consci\u00eancia cr\u00edtica pode ser ineficaz caso esteja limitada a mente de uma s\u00f3 pessoa. Ora, como o indiv\u00edduo poder\u00e1 perceber seus vieses e preconceitos se n\u00e3o h\u00e1 compartilhamento com o outro? Como o sujeito poder\u00e1 descobrir novas ideias, se est\u00e1 enfurnado e trancado em suas pr\u00f3prias interpreta\u00e7\u00f5es de mundo? A consci\u00eancia cr\u00edtica necessita do di\u00e1logo, pois \u201cn\u00e3o existe ensinar sem aprender\u201d, e \u201co aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica \u00e0 medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente dispon\u00edvel a repensar o pensado, rever-se em suas posi\u00e7\u00f5es (Freire, 2001).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No entanto, deve-se ter consci\u00eancia de que a atra\u00e7\u00e3o da \u201cilha de ignor\u00e2ncia\u201d \u00e9 forte, e que o medo do desconhecido \u00e9 uma realidade presente, inclusive para aquele que se diz maduro em seu pensamento cr\u00edtico. Pode ser que a n\u00e3o vigil\u00e2ncia de nossas pr\u00f3prias cren\u00e7as, mesmo que bem fundamentadas em princ\u00edpios \u00e9ticos ilibados, nos leve a tomar decis\u00f5es question\u00e1veis diante de uma ideia proferida por algum desafeto nosso. Ora, afirmar que um argumento \u00e9 mau ou mentiroso porque foi proposto por algum advers\u00e1rio, sem considerar o conte\u00fado l\u00f3gico do que foi dito, \u201c\u00e9 raciocinar de modo falacioso\u201d (Copi, 1978). Ou ainda pode acontecer que, ao se encontrar no meio de uma grande pluralidade de ideias, sejam elas boas ou ruins, o pensador cr\u00edtico, que n\u00e3o se deu conta de que estava preso em uma bolha de pensamentos afins, possa agir com insol\u00eancia e soberba. Da\u00ed a necessidade da prud\u00eancia, honestidade e humildade intelectuais em um mundo de incertezas e desinforma\u00e7\u00f5es, sempre procurando perceber e evitar aquela manifesta\u00e7\u00e3o perniciosa de um ego inflado, que leva a pessoa a se sentir diferente e virtuosa por heran\u00e7a (Freire, 1987). Caso contr\u00e1rio, reflex\u00f5es e cr\u00edticas, mesmo que bem fundamentadas \u2014 e bem-intencionadas \u2014, se declaradas, ou escritas, de modo leviano e descuidado, n\u00e3o se importando com o entendimento alheio, podem levar a um aprofundamento na cren\u00e7a em desinforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 bem verdade que King Jr. (2020) afirma que \u201cuma mente rigorosa \u00e9 afiada e penetrante, rompe a crosta de lendas e mitos e separa o verdadeiro do falso\u201d, e que \u00e9 raro encontrar pessoas que se engajem \u201cem pensamentos rigorosos e s\u00f3lidos\u201d. No entanto, o reverendo tamb\u00e9m diz que \u201cn\u00e3o devemos nos contentar em apenas cultivar uma mente rigorosa. [&#8230;] Rigor sem sensibilidade \u00e9 uma coisa fria e distante, que mant\u00e9m a vida em um inverno perp\u00e9tuo, sem a calidez da primavera\u201d (King Jr., 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Talvez, observando o que King Jr. afirma, pode-se arriscar dizer que a consci\u00eancia cr\u00edtica necessita de alguma dose de amor. Amor para compreender que nem todos ir\u00e3o querer abandonar a pl\u00e1cida e pac\u00edfica ilha de ignor\u00e2ncia, e amor para perdoar as inj\u00farias e difama\u00e7\u00f5es que recaem sobre aqueles que insistem em ensinar. Eagleton (2010) escreve que \u201co perd\u00e3o \u00e9 uma ruptura gratuita do circuito das equival\u00eancias exatas, ou do olho por olho e dente por dente, e, portanto, \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o da morte dentro das simetrias reguladas do presente\u201d. O perd\u00e3o mata a ofensa do ofensor. Bonhoeffer (2016) ainda escreve que \u201co amor n\u00e3o deve perguntar se \u00e9 correspondido, mas procurar quem carece dele. Quem mais necessita de amor sen\u00e3o aquele que, sem amor, vive no \u00f3dio? Quem, portanto, seria mais digno de amor que meu inimigo?\u201d. Pode-se considerar inimigo aquele n\u00e3o-amigo, que, alienado de sua pr\u00f3pria consci\u00eancia, massificado e massacrado por ideias e ideais autorit\u00e1rios, ataca aqueles que ousam, corajosamente, buscar verdades que podem fazer estremecer as estruturas de cren\u00e7as h\u00e1 muito estabelecidas. O amor apresentado, tanto por Bonhoeffer quanto por King Jr. remete a uma insist\u00eancia teimosa e resiliente de uma esperan\u00e7a imortal que, mesmo diante da opress\u00e3o avassaladora, enxerga uma sa\u00edda conciliadora e libertadora entre os semelhantes. Paulo Freire aparenta concordar com isso ao escrever que n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo sem um profundo amor aos homens e ao mundo (Freire, 1987).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Certamente este n\u00e3o \u00e9 um amor de condi\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas e condescendentes, que \u00e9 destitu\u00eddo de coer\u00eancia e firmeza, mas \u00e9, antes, uma for\u00e7a transformadora e fortificadora do senso cr\u00edtico, dando a este a robustez de uma reflex\u00e3o que leva em conta a constante inconst\u00e2ncia da realidade objetiva e circundante. Pode ser que, por meio do amor, o pensamento cr\u00edtico consiga resistir \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o e ao desgosto de perceber que a tolice \u2014 forte aliada da desinforma\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 um advers\u00e1rio implac\u00e1vel e, possivelmente, imposs\u00edvel de ser vencida. Talvez, uma consci\u00eancia cr\u00edtica, banhada no amor ao pr\u00f3ximo, consiga criar pontes reconciliadoras entre partes discordantes, j\u00e1 que o amor \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para di\u00e1logo, como afirmado por Paulo Freire, al\u00e9m de ser um fator repleto de paci\u00eancia para suportar constantes revezes e desapontamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De fato, \u00e9 curioso falar desse sentimento t\u00e3o paradoxal ao se abordar o pensamento cr\u00edtico em mundo de desordem informacional. Em uma realidade assim \u2014 ou, talvez, em qualquer realidade \u2014 o amor, essa for\u00e7a de passiva agressividade, que se indigna com ofensas, mas que \u00e9 apressado em perdoar, nunca negando a necessidade da justi\u00e7a e da transforma\u00e7\u00e3o social, seja um elemento necess\u00e1rio a um pensamento afiado, ou, como diria King Jr., a um pensamento rigoroso. Pode ser que o amor seja um caminho para o amadurecimento do senso cr\u00edtico, que permite a aproxima\u00e7\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o de gentes t\u00e3o separadas e dilaceradas por enganos e artimanhas perpetradas, ora por l\u00edderes autorit\u00e1rios, ora por grupos interessados em se manter onde est\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O amor, aliado ao senso cr\u00edtico, pode nos levar a pensar e refletir sobre o nosso tempo e espa\u00e7o no mundo, nos trazendo reflex\u00f5es sobre as estranhas incongru\u00eancias das rela\u00e7\u00f5es humanas, assim como apontamentos sobre as nossas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A mentira \u2014 ou desinforma\u00e7\u00e3o, como preferir \u2014 j\u00e1 corre solta nas sociedades humanas por muitos e muitos s\u00e9culos, e provavelmente continuar\u00e1 sua jornada ardilosa entre os seres humanos por muitos outros anos. No entanto, uma consci\u00eancia cr\u00edtica amorosa, que leve em conta o ceticismo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pr\u00f3prias cren\u00e7as, e tendo a compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o como ferramenta, poder\u00e1, quem sabe, ser capaz de atenuar os efeitos perniciosos da desinforma\u00e7\u00e3o, tanto em n\u00f3s mesmos, quanto em nossos semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Barros, Daniel Martins de. (2020) <strong><em>O Lado bom do lado ruim<\/em><\/strong>. Sextante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Bezerra, A. C., Schneider, M., &amp; Brisola, A. (2017). Pensamento reflexivo e gosto informacional: disposi\u00e7\u00f5es para compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<em>Informa\u00e7\u00e3o &amp;Amp; Sociedade: Estudos<\/em>,&nbsp;<em>27<\/em>(1). 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(2019). <em>A<\/em><br><em>Desinforma\u00e7\u00e3o<\/em>: <em>contexto europeu e nacional. <\/em>https:\/\/www.parlamento.pt\/Documents\/2019\/abril\/desinformacao_<br>contextoeuroeunacional-ERC-abril2019.pdf.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fonseca, Eduardo Giannetti da. (2005). <em>Auto-engano<\/em>. Companhia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Freire, Paulo. (2001). Carta de Paulo Freire aos professores. <em>Estudos avan\u00e7ados<\/em>. 15 (42), 259-268. http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/s0103-40142001000200013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Freire, Paulo. (1987).&nbsp;<strong><em>Pedagogia do oprimido<\/em><\/strong>. Paz e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Froehlich, Thomas. (2020). Ten Lessons for the Age of Disinformation. <em>Advances In Media, Entertainment, And The Arts<\/em>. 36-88. http:\/\/dx.doi.<br>org\/10.4018\/978-1-7998-2543-2.ch003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Gasque, Kelley Cristine Gon\u00e7alves Dias. (2012). <em>Letramento informacional:pesquisa,<\/em><br><em>reflex\u00e3o e aprendizagem<\/em>. Faculdade de Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o;<br>Unb, http:\/\/repositorio.unb.br\/bitstream\/10482\/13025\/1\/<br>LIVRO_Letramento_Informacional.pdf.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Graci\u00e1n y Morales, Baltasar. (2003). <em>A Arte da prud\u00eancia<\/em>.<br>Sextante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Guzzo, Guilherme Brambatti; Lima, Valderez Marina do Ros\u00e1rio. (2018). O Exerc\u00edcio do pensamento cr\u00edtico em face dos vieses cognitivos. In: <em>Concgresso Ibero-Americano de Doc\u00eancia Universit\u00e1ria. <\/em>10. http:\/\/repositorio.pucrs.br\/dspace\/bitstream\/10923\/15072\/2\/O_EXERCICIO_DO_PENSAMENTO_CRITICO_EM_FACE_DOS_VIESES_COGNITIVOS.pdf.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Hogg, Michael A. (2019). Mudan\u00e7a radical: as incertezas globais amea\u00e7am nosso senso de eu. Para lidar com esse quadro, as pessoas abra\u00e7am o populismo. <em>Scientific American<\/em>.18 (201), 42-45.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Kahneman, Daniel. (2012).&nbsp;<strong><em>R\u00e1pido e devagar<\/em><\/strong>: <em>duas formas de pensar<\/em>. Objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">King Jr., Martin Luther. (2020).&nbsp;<strong><em>A D\u00e1diva do amor<\/em><\/strong>. Planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Lovecraft, Howard Phillips. (2014). O Chamado de Cthulhu. In Lu\u00eds Dolhnikoff (org.), <em>Os Melhores contos de H. P. Lovecraft<\/em>. (pp. 66-101).&nbsp; Hedra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mello, Felipe Correa Oliveira de. (2022). Autorreflex\u00e3o, reflex\u00e3o e \u00e9tica: o papel da compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o na defesa contra a desinforma\u00e7\u00e3o. In Arthur Coelho Bezerra, &amp; Marco Schneider (org.),&nbsp;<strong><em>Compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><strong><em>:<\/em><\/strong><em> teoria, consci\u00eancia e praxis<\/em>. (pp. 87-96). Ibict. <a href=\"https:\/\/ridi.ibict.br\/bitstream\/123456789\/1200\/1\/Bezerra%20%26%20Schneider%20-%20Compet%c3%aancia%20Cr%c3%adtica%20em%20Informa%c3%a7%c3%a3o%20%282022%29.pdf\">https:\/\/ridi.ibict.br\/bitstream\/123456789\/1200\/1\/Bezerra%20%26%20Schneider%20-%20Compet%c3%aancia%20Cr%c3%adtica%20em%20Informa%c3%a7%c3%a3o%20%282022%29.pdf<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Merton, Robert K. (2013). <em>Ensaios de sociologia da ci\u00eancia<\/em>. 34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Neumann, Franz. (2017). Ang\u00fastia e Pol\u00edtica. <em>Disson\u00e2ncia: Teoria Cr\u00edtica e Psican\u00e1lise<\/em>, 01,104-154.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Pilati, Ronaldo. (2021).&nbsp;<strong><em>Ci\u00eancia e pseudoci\u00eancia<\/em><\/strong>: <em>por que acreditamos apenas naquilo em que queremos acreditar<\/em>. Contexto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Plous, Scott. (1993). <em>The Psychology of judgment and decision making. <\/em>McGraw-Hill.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Posetti, Julie; Matthews, Alice. <em>A.<\/em> (2018).<em> Short guide to the history of &#8216;fake news&#8217; and disinformation<\/em>:<em> a learning module for journalists and journalism educators<\/em>. Icfj, 2018. <a href=\"https:\/\/www.icfj.org\/sites\/default\/files\/2018-07\/A%20Short%20Guide%20to%20History%20of%20Fake%20News%20and%20Disinformation_ICFJ%20Final.pdf\">https:\/\/www.icfj.org\/sites\/default\/files\/2018-07\/A%20Short%20Guide%20to%20History%20of%20Fake%20News%20and%20Disinformation_ICFJ%20Final.pdf<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Sagan, Carl. (2008).&nbsp;<strong><em>Contato<\/em><\/strong>. Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Sagan, Carl. (2006). <em>O Mundo assombrado pelos dem\u00f4nios: a ci\u00eancia vista como uma vela no escuro<\/em>. Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Santo Agostinho. (2019). <em>A Mentira &#8211; Contra a mentira<\/em>. Paulus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Schneider, Marco. (2019). CCI\/7: compet\u00eancia cr\u00edtica em informa\u00e7\u00e3o (em 7 n\u00edveis)<br>como dispositivo de combate \u00e0 p\u00f3s-verdade. In<br>Arthur Coelho Bezerra, Marco Schneider, Ricardo M. Pimenta, Gustavo Silva Saldanha. <em>IKr\u00edtica: estudos cr\u00edticos em informa\u00e7\u00e3o. estudos<\/em> <em>cr\u00edticos em informa\u00e7\u00e3o<\/em>. (pp. 73-116). Garamond.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Seth, Anil K. (2019). Nossos universos interiores: a realidade \u00e9 constru\u00edda pelo c\u00e9rebro, e n\u00e3o existem dois c\u00e9rebros exatamente iguais. <em>Scientific American<\/em>. 18 (201), 27-33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Wardle, Claire. (2018). <em>Information disorder<\/em>: <em>the essential glossary<\/em>. Havard Kennedy School &#8211; Shorenstein Center On Media, Politics And Public Policy, https:\/\/firstdraftnews.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/infoDisorder_glossary.pdf?x20994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Wardle, Claire. Derakhshan, Hossein. (2017). <em>Information disorder:<\/em> <em>toward an<\/em><br><em>interdisciplinary framework for research and policy making<\/em>. Council Of<br>Europe. <a href=\"https:\/\/rm.coe.int\/information-disorder-towardan-interdisciplinary-framework-for-researc\/168076277c\">https:\/\/rm.coe.int\/information-disorder-towardan-interdisciplinary-framework-for-researc\/168076277c<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I Introdu\u00e7\u00e3o A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 coisa antiga, al\u00e9m de ser inerente \u00e0s sociedades humanas. Poseti e Matthews (2018) demonstraram isso em uma linha do tempo que remonta at\u00e9 ao ano de 44 a.C., onde elas apresentam a desordem informacional atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. 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