{"id":469,"date":"2025-10-15T16:55:51","date_gmt":"2025-10-15T19:55:51","guid":{"rendered":"https:\/\/mensagensperdidas.com\/?page_id=469"},"modified":"2026-02-14T23:31:09","modified_gmt":"2026-02-15T02:31:09","slug":"um-caso-inquietante","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mensagensperdidas.com\/index.php\/um-caso-inquietante\/","title":{"rendered":"Um Caso Inquietante"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 curioso pensar que as possibilidades s\u00e3o infinitas, mas as escolhas s\u00e3o \u00fanicas e irrepar\u00e1veis. O que aconteceu, aconteceu, e o que resta \u00e9 a Realidade e uns ecos destoantes, vindos de realidades que talvez tenham acontecido. Ainda me pergunto se elas realmente acontecem&#8230; Por\u00e9m os humanos ainda possuem a p\u00e9ssima mania de imaginar como as coisas poderiam ter sido se agissem diferente. P\u00e9ssima mania para lidar com escolhas malfeitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E escolha era uma coisa que Elizabete Dantas tinha de sobra. Posso dizer que, de vez em quando, ela pensava em uma ou outra realidade paralela \u2014 e pensava bem errado&#8230; Por\u00e9m, costumava agir bem e n\u00e3o tinha tantos percal\u00e7os assim na vida. Era muito inteligente, acima da m\u00e9dia, e publicou in\u00fameros trabalhos acad\u00eamicos. Mas toda essa intelig\u00eancia a levou ao isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Era complicado para Elizabete ter uma conversa &#8220;normal&#8221;. Seu c\u00edrculo de amizades, bem diverso por sinal, ou se preocupava com futilidades, ou era intelectualizado demais. Se era profunda em algum assunto, seus colegas ficavam sem gra\u00e7a; se falasse qualquer bobagem para descontrair, olhavam para ela com certo desd\u00e9m. Elizabete parecia n\u00e3o se encaixar em grupo nenhum. Estava deslocada no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Todos os dias Elizabete tentava viver. Estudava, escrevia e dava aulas. Era gentil com seus alunos e am\u00e1vel com todos. No entanto, mesmo cercada de gente, se sentia s\u00f3. Chegou a pensar em buscar uma terapia para se entender e lidar com aquela situa\u00e7\u00e3o. Mas isso ficou apenas no campo da possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Quando casou com um tal de Luiz Paulo Fernandes, achou que tudo melhoraria. Luiz era um homem bonito, charmoso e inteligente, e o namoro deles foi lindo de se ver. No entanto, pequenas coisas foram desgastando o casamento com o passar dos anos \u2014 pequenas coisas que poderiam ter sido evitadas. Elizabete, ainda no namoro, havia percebido que Luiz era um pouco relaxado. No terceiro ano de casamento, isso ficou mais claro que a luz do dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Luiz era totalmente pregui\u00e7oso e pouco companheiro. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que Elizabete estava entrando em depress\u00e3o por causa do casamento, por\u00e9m, Luiz acreditava que amava sua esposa, e n\u00e3o entendia o porqu\u00ea de v\u00ea-la sempre triste. Apesar disso, Elizabete amava Luiz e imaginava que um dia ele melhoraria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E assim Elizabete foi vivendo, at\u00e9 sentir a solid\u00e3o lhe esmagar por todos os lados. Ela sabia que precisava buscar ajuda, mas n\u00e3o buscava. Teimosia? Talvez. No entanto, certa vez houve um apag\u00e3o na cidade, e ela p\u00f4de ver a imensid\u00e3o estrelada. Foi a primeira vez, depois de muito tempo, que Elizabete sentiu seu cora\u00e7\u00e3o pular de alegria. Ent\u00e3o teve um desejo de escapar daquele mundo para visitar outros. Quis deixar tudo para tr\u00e1s. Um simples desejo escapista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Agora aqui as coisas ficam estranhas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fechou os olhos e respirou fundo. De repente ouviu uma porta se abrir. Achou que fosse seu marido, mas era outra coisa. Tomou um susto, mas um sorriso esquisito e uma fala incompreens\u00edvel a tranquilizou. A silhueta estranha lhe estendeu a m\u00e3o, e ela entrou naquela porta misteriosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Elizabete havia fugido de sua realidade. Encontr\u00e1-la era quase imposs\u00edvel. Vez ou outra eu a percebia em mundos diferentes, e eu n\u00e3o conseguia compreender quem era o seu acompanhante. Aquilo n\u00e3o era normal. Isso pareceu acontecer por longos dez anos, at\u00e9 que ela abriu os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Elizabete ainda estava l\u00e1, na noite do apag\u00e3o, e eu fiquei sem entender se ela tinha sonhado ou n\u00e3o. Olhei bem para ela e percebi que ali existia uma certa express\u00e3o de experi\u00eancia vivida. Aquela n\u00e3o era mais a mesma Elizabete. Senti um calafrio e me percebi observado. Talvez fosse o Estranho que a levou para passear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Desde ent\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita pairou em sua casa e entre os seus conhecidos. Elizabete, que j\u00e1 era fechada, tornou-se ainda mais enterrada em seus pr\u00f3prios pensamentos. Desejava reencontrar aquele ser misterioso que a levou para conhecer outros mundos e culturas, mas ele nunca mais reapareceu; ao menos, n\u00e3o claramente, pois eu sabia que essa criatura a observava. Estava sempre por perto, a rodeando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Seu casamento, que j\u00e1 n\u00e3o andava bem das pernas, apenas piorou. Luiz ignorava os sinais de tristeza e insatisfa\u00e7\u00e3o que ela emitia, al\u00e9m de n\u00e3o entender as poucas palavras que Elizabete lhe dizia. Atordoada e atormentada, Elizabete se divorciou de Luiz e desejou que o Estranho abrisse novamente <em>a porta<\/em>. No entanto, aquele ser apenas a ignorou. Me senti observado com certa indiferen\u00e7a, e desde ent\u00e3o, n\u00e3o mais o percebi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Elizabete demorou uns dez anos para se recuperar daquela fase triste de sua vida. Fez novos amigos e conseguiu encontrar gente parecida com ela. Se casou novamente, e dessa vez foi feliz na escolha. Mas ainda se via tentada a imaginar o famigerado &#8220;e se&#8230;&#8221;. De vez em quando eu percebia a presen\u00e7a s\u00fatil daquela coisa reaparecendo, mas nunca dando as caras de fato. Ainda me pergunto o que era aquilo e o que ele conversou com Elizabete. Aquele ser n\u00e3o parecia ser bem intencionado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 curioso pensar que as possibilidades s\u00e3o infinitas, mas as escolhas s\u00e3o \u00fanicas e irrepar\u00e1veis. O que aconteceu, aconteceu, e o que resta \u00e9 a Realidade e uns ecos destoantes, vindos de realidades que talvez tenham acontecido. 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