Talvez não tenhamos noção real da diversidade do mundo. Se temos, evitamos pensar nisso. Como entender e compreender que muitas coisas não funcionam da forma como aprendemos a acreditar? É mais fácil se fechar em nossas próprias ideias e crenças e olhar para o outro com desconfiança ou como coisa exótica.
Ver e ouvir para compreender e refletir deveriam ser atitudes básicas da nossa existência. Impor certezas sem considerar o outro como semelhante me parece errado. Mesmo em uma pequena cidade há uma multiplicidade de pessoas e pensamentos; cada um com suas particularidades únicas. No entanto, o modo de vida em que estamos inseridos nos força a uma espécie de uniformização fria e morta. Nos força a uma monocromia sem graça e a um minimalismo fútil. Nos leva a pobreza de pensamento.
Os sujeitos das diversas culturas não são, e nem deveriam ser, objetos industrializados, moldados de acordo com um pensamento massificador; moldados para serem consumidos e para consumir. Quando tudo se torna produto, o tudo se esvazia; perde sentido e verdade. A originalidade se perde no mercado, e a apatia e a futilidade crescem. O ideal do lucro acima de tudo aprisiona o gosto, descolore as cores e traz monotonia aos sons. Uniformiza o pensamento e a visão de todos, tornando incomum a naturalidade das diferenças saudáveis.
Contemplar e aceitar a beleza de Deus na multiplicidade dos povos, na riqueza da diversidade de tudo, é abrir mão de nossas próprias certezas. É admitir que não sabemos tudo. É rejeitar o pensamento uniformizador do mercado, que enxerga qualquer coisa, seja material ou não, como produto. É se perceber como sujeito que está aqui para descobrir e aprender, tendo a coragem de lidar com aquilo que desconhece.

