O Objeto no Céu

O entardecer estava realmente bonito. Era uma surpresa muito agradável para um dia preguiçoso de folga. Fui até a minha janela para apreciar aquele céu abrasador, com poucas nuvens. Foi então que vi a “coisa”. Pensei ser um balão, mas ao ver o reflexo do sol no objeto, senti uma pontada de ansiedade.

Eu nunca tinha visto uma coisa daquelas antes. Aquilo pairava pleno no céu e parecia exercer alguma força sobre mim. Me senti observado. Olhei para a rua para ver se mais alguém estava vendo o OVNI, mas todos que passavam estavam mais preocupados com seus caminhos.

Quis pegar meu celular para tirar uma foto ou gravar um vídeo, mas a ansiedade gerada me fez fixar os olhos mais uma vez no objeto. Ele parecia um losango preto ou verde-escuro. Não se movia. Eu realmente não sei por quanto tempo fiquei parado na janela, mas, quando me dei conta, o sol já tinha ido embora, e minha casa estava completamente escura. Respirei fundo e balancei a cabeça, emocionado.

Não sou de ter medo do escuro, mas confesso que, naquele momento, uma sensação ruim pairou sobre mim. Olhei minha sala, completamente tomada pelo breu, e olhei novamente para o céu. O objeto tinha ido embora… Ao menos, parecia ter ido embora. No escuro as coisas tomam formas estranhas — e é pior quando se tem medo. Que bela hora para o meu cérebro me pregar peças! Andei com cuidado e quase corri para acender a luz. Que sensação de alívio ver a sala iluminada. Mas, ainda assim, sentia meu coração pesado.

Liguei a tv para tentar me distrair. Não estava nem um pouco afim de ter um ataque de ansiedade. Assisti a dois episódios de uma série bobinha de comédia e, em seguida, me levantei para ir ao banheiro. O corredor estava escuro, e senti minha cabeça pesar. Era medo.

Por mais que eu negasse, eu sabia que esse medo vinha daquela coisa que vi no céu. Eu realmente queria saber o que era aquilo, mas, por mais que eu tentasse me animar com a possibilidade de vida fora da Terra, a sensação de que o que vi não era bom só crescia. Para piorar, a curiosidade de conhecer o perigo me forçava a pensar ainda mais nisso.

Tentei, durante o caminho para o banheiro, imaginar que esse pavor todo era o famoso medo do desconhecido. “Ora, não sei o que é aquilo, logo esse medo vem disso“, pensei. Porém, esse raciocínio não me ajudava em nada.

Fiz o que devia fazer e voltei para a sala. Me senti um pouco mais calmo, mas a sensação de que o medo poderia retornar ainda era bem presente. Fiz uma refeição leve e fui para cama tentar dormir. Foi a pior noite que tive em toda minha vida. Eu não consegui pregar o olho e, para piorar, o medo voltou com ainda mais força.

A cada estalo que eu ouvia, meu coração subia para a boca. Eu não tinha coragem de sair da cama e me prendia ao meu lençol com força. Às vezes, eu tinha a impressão de ouvir — ou sentir — algo na minha cabeça. E não parecia ser algo bom. Porém, chegou um momento em que o cansaço me venceu, e meus olhos começaram a fechar sozinhos. Enquanto eu lutava para resistir àquele sono avassalador, escutei a minha campainha tocar. Eu já não aguentava mais sentir o meu coração bater tão forte.

Andei com cautela e cheguei a pensar em pegar uma faca na cozinha, mas não fiz isso. Assim que toquei na maçaneta, acordei pela manhã com a campainha tocando incessantemente. Levantei com uma baita dor de cabeça, abri a porta e era o porteiro do meu prédio. Ele trazia uma encomenda minha. Agradeci ao favor, fechei a porta e deixei a caixa de lado. Minha cabeça doía muito.

Quando tentei me espreguiçar, meu corpo inteiro doeu. Me senti moído. Foi então que percebi três pontinhos vermelhos no meu braço esquerdo. Eram muito simétricos para parecer uma alergia e sensíveis ao toque. Então, instintivamente fui para a janela. O objeto estava lá novamente. Ele parecia me observar, e parecia querer ser visto por mim. Então a coisa foi embora, me deixando com dúvidas sobre minha sanidade.

Rolar para cima