Amores desencontrados
Que se esbarram no cotidiano da vida
Em tempos já desgastados
Principalmente quando há louça na pia
Os corações se aspiram
Mas nunca se viram
Já se cruzaram
Mas nunca se olharam
Inesperadas paixões os tomaram
Repentinas e belas
Ilusórias ou concretas
Amores que, por fim, se encaixaram
Mas nos tempos envelhecidos
No meio dos remendos feridos
Ambos suspiram
Por sujeitos que nunca viram
Quando se encontram
Seus olhos se atraem
Pulsa o coração
Mas o sorriso harmonizado logo se desfaz;
São apenas desconhecidos que se desencontram
Voltam, então, para suas vidas
Imaginando como seria
Mas tudo isso não faz sentido
Não há porquê imaginar tal suplício